segunda-feira, 16 de novembro de 2009

AMORES IMPOSSÍVEIS 2

E por falar em vampiro, eu convivi com um por algum tempo. Também já me apaixonei por ele. Onde ele se encontra hoje? Não sei. Vampiros não têm paradeiros, são insaciáveis, são extremamente misteriosos.
Também já me encantei por pássaros, destes que migram o ano inteiro, mas que sempre voltam. Todo pássaro precisa de um descanso. Sem isso, suas asas não conferem a leveza que tanto necessitam para poder voar.
Mas é claro que existem os pássaros que voam mais perto. E ainda há poucos que gostam de gaiolas. Bem, estes últimos precisam ser alimentados. Bem cuidados, eles nem sonham em voar.
Já me encantei por escorpiões, mas foi extremamente passageiro.
Já me atrai por lobos. E já amei verdadeiros leões.
Mas nunca consegui gostar de sapos. Talvez a verdadeira felicidade esteja nos sapos. Mulheres, precisamos pensar melhor em nossas escolhas! Os sapos são previsíveis. E quem ama o feio, bonito lhe parece. Bem, é o que dizem por aí.
Talvez eu devesse testar este amor pelos sapos. Se eu já encontrei todos estes seres inimagináveis, por que o sapo não pode ter uma magia escondida, secreta? Será que com um beijo doce e prolongado, sou capaz de transformá-lo em príncipe? Já pensou?

domingo, 15 de novembro de 2009

AMORES IMPOSSÍVEIS

Depois que assisti ao filme Crepúsculo, a história de amor entre Bella e o doce vampiro Edward Cullen, entendi a razão pela qual o livro da escritora Stephenie Meyer foi tão lido.
Confesso que ainda não o li. Mas depois de ter visto o filme, com certeza vou ler os quatro livros da autora.
E por que os livros e os filmes fizeram tanto sucesso? Porque fala de amor. E amor é tema universal. E nada mais interessante do que as histórias de amor. Amores impossíveis despertam o nosso inconsciente.
Amores impossíveis duram. Nunca acabam. Eternizam. E isso é uma forma de viver. De sobreviver à morte.
Se Bella realmente fosse vampira, não acabaria o encanto? Sim, porque foi a atração que ele sentiu por ela, especialmente por seu sangue, que foi capaz de torná-la ainda mais interessante.
Como mencionei, não sei qual será o final desta história. Pode ser que eu mude minha opinião, conforme o desfecho. Mas continuo pensando que a realização de uma paixão é o que a aniquila. É a impossibilidade que faz a paixão. Paixão realizada acaba.
Apesar das minhas dúvidas, uma é cruel: quem é mais sedutor? Edward ou Jacob? Esta nunca saberei responder.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

TEMPO QUE NÃO VOLTA MAIS

Tenho pensado muito sobre o tempo. Ainda mais agora, que estou no escuro. Acabou a energia. Liguei a lanterna. Sei exatamente onde encontro tudo em minha casa. Até mesmo no escuro.
E o escuro ou esta pouca luz em que estou traz à tona meus pensamentos. Como não resta outra coisa a não ser entrar no notebook, enquanto há bateria, sobram apenas minhas memórias, minhas fotografias e minha escrita. Por isso, hoje foi um dia de saudades. Saudade de um tempo que não volta mais. Saudade de todos os meus anos vividos. Saudade de tudo. Simplesmente tudo. E este tudo não cabe nem mesmo em mim. E tudo de repente voltou neste mísero instante, como se todas as coisas esquecidas tomassem forma, uma nitidez capaz de ofuscar meus olhos, de tanta beleza, de tantas boas recordações.
Grandes confissões eu já escutei no escuro, após longos temporais.
Já segurei as mãos da minha avó quando criança, com medo do escuro.
Já amei, no escuro.
Minhas doces recordações da infância também têm relâmpagos e trovões, e até mesmo aquela chuva forte que chegava a inundar o jardim, o terraço, todo o quintal, com aquele cheiro gostoso de terra molhada, cheiro este que lembrava bala de coco, que penetrava por minhas narinas e invadia o meu coração.
Guardo os cheiros da minha infância. Da ternura que era ser criança. Das coisas mais simples e repletas de significados. Cheiro de amor. Cheiro de jabuticaba. Do brigadeiro na panela. Da pipoca estourando. Dos bolinhos de chuva. Cheiro de felicidade eterna. Grande ilusão.
Sentia a alegria incontida, quando acabava a energia, como se algo muito especial pudesse acontecer. Uma sensação de medo gostoso. De inesperado. De estar viva. Como chuva de granizo. “Está chovendo pedra!”
As casas se foram.
Pessoas se foram.
Só depois entendi que assim é a vida.
Hoje, reencontrei todos os meus pedaços. Sei tudo o que sou. Passado, presente e futuro. Hoje. Agora. Já. Preciso lembrar disso amanhã. Preciso.
Enquanto a luz não volta, toda esta grandeza irradia em mim, iluminando a pequena pessoa que eu sou diante de toda esta imensidão de sentimentos e de momentos tão inesquecíveis, que não voltam mais.

Obs.1: se eu pudesse, colocaria todos os nomes daqueles que passaram em minha vida, desde criança até o dia de hoje. Mas não posso. Não são meus. Nem caberia na lista.

Obs.2: esta crônica foi escrita quando eu ainda desconhecia os efeitos deste apagão.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

AINDA SOBRE O TEMPO

Em novembro do ano passado, eu estava nos últimos momentos da gestação do meu segundo livro. Como eu poderia prever onde estaria hoje, no dia 06 de novembro de 2009?
Como eu poderia prever o quanto tudo mudaria para mim? Como eu poderia perceber que estava encerrando um ciclo e recomeçando outra caminhada?
Como eu poderia imaginar minha nova estrada? Como poderia pensar na encruzilhada que a vida me colocou? E agora?
Sim. É impotência que eu sinto. Nunca gostei da monotonia, é verdade, mas nunca pedi mudanças tão drásticas nos meus planos.
Acho que a palavra "plano" é uma peça que o destino prega. Não depende de nós.

TEMPO

Estou assustada com a rapidez do tempo. Com a minha lentidão e minha ineficácia perante este misterioso tempo, veloz, que apaga todas as desilusões, renova as esperanças, e faz a saudade transbordar, mostrando que a gente ainda está vivo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

SONHO

Como mencionei na crônica anterior, nem sempre minha vida aconteceu da forma como sonhei. Aliás, digo que meus sonhos nunca aconteceram. Frustrante? Penso que não.
Tudo aconteceu exatamente diferente do que planejei. E não sei porque ainda insisto em planejar algumas coisas. Escrevo no papel, a fim de concretizar, mentalizar, ou coisa parecida. Mas comigo não. Todo plano que eu tiver, já sei: deve ficar guardado dentro de mim. Deve ser secreto. Aí sim a coisa engrena.
Acho que Deus fez um pacto comigo: "Aguente o silêncio. Ele é o seu tesouro mais precioso."
O fato de meus sonhos permanecerem no mundo das ideias não significa que nunca conquistei coisas. Conquistei quase tudo o que desejei. E sempre consegui me surpreender. Mas sonho mesmo, parece algo que não depende da gente. Parece mais um milagre de Deus. Quem sabe o milagre não é apenas acreditar?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ALGUMAS HISTÓRIAS PARA CONTAR

Fiz esgrima. Fiz teatro. Fiz aula de técnica vocal. Estudei música. Fiz piano. Fui a única mulher que fez curso de combate com facas na AMAN. Mas nada disso fiz direito.
Fiz Direito. Passei na prova da OAB. Entrei para a Força Aérea. Fiz especialização em Direito Público.
Tudo o que aconteceu não foi necessariamente nesta ordem.
Fiz especialização em Bioética. Sempre tive curiosidade com a vida. Tive que estudar genética, biologia, biodireito, filosofia da ciência, metodologia científica, ética filosófica, antropologia e até religião.
Repeti no catecismo quando criança. Continuei. E fiz primeira comunhão. Fui até Nossa Senhora no teatro da Igreja.
Fiz inglês desde cedo. Repeti, também quando criança, mas continuei. Acabei.
Dancei. Em todos os sentidos. Mas nada tirou a minha fé.
Fiz yoga e pilates.
Fiz natação.
Participei de vários eventos poéticos no Rio. E produzi alguns.
Escrevi livros. Alguns foram publicados. Outros foram rejeitados por grandes editoras.
Mudei de cidade várias vezes. Muitas vezes senti saudade. Mas também deixei saudades em alguém.
Beijei bastante. Principalmente nos meus carnavais.
Fiz vários amigos. Por todos os cantos deste Brasil.
Chorei. Até em banheiro sujo (coisa de adolescente). E diversas vezes na frente do espelho.
Já dirigi embriagada. Já voltei na manhã seguinte. Já fui irresponsável como todo mundo.
Perdi amigos. Fiz outros. Mas nunca esqueci pessoas.
Amei. Sempre.
Superei.
Levei vários "nãos". Aprendi a conviver com eles.
Conquistei vários "sins". E me surpreendi. Inclusive comigo mesma.
E hoje estou aqui, tentando encontrar algum sentido.
E enquanto ele não aparece, eu escrevo. E vivo. Com intensidade.